Brocolis, bacon, alho e mais quatro queijos.
Fotômetro e uma pincelada no Sistema de Zonas
Uma das premissas básicas da fotografia é a medição da luz. Seja no filme ou no sensor eletrônico, a imagem é formada pela luz que incide sobre esse elemento, e a quantidade de luz é um fator fundamental para que seja criada uma boa fotografia. Luz demais e a foto será esbranquiçada, clara demais, queimada. Luz de menos e tudo será escuro demais.
Para medir a luz existe um equipamento chamado fotômetro, que é, em termos bem simples, uma fotocélula, que gera uma corrente elétrica proporcional a intensidade da luz que incide sobre ela. Uma vez que essa medida existe, para controlar a quantidade de luz que irá ser registrada, os fotógrafos tem ao seu dispor a abertura do diafragma, o controle de tempo de exposição e a sensibilidade (ISO) seja no filme ou na configuração de uma máquina digital.
Os fabricantes de câmeras, para facilitar as coisas para o público em geral, bem na linha do “Aperte o botão, nós fazemos o resto”, colocam já há muito tempo fotômetros embutidos nas suas câmeras, que são programados para ajustar automaticamente os controles, de modo que a quantidade de luz seja o suficiente para registrar a fotografia, mas não demais para queimar o filme.
Em câmeras compactas normalmente só existe o modo de medição “automático” que dependendo do fabricante pode ter nomes como matrix, evaluative, honeycomb ou segment metering. Esse modo usa informação de toda a cena, e através de uma programação que varia de cada modelo de câmera e de cada fabricante, tenta buscar a melhor exposição para aquela situação. E isso para as pessoas que querem apenas registrar seus momentos de lazer normalmente funciona muito bem.
Já câmeras mais avançadas, como as SLR, e mesmo algumas compactas com mais funções, há a chamada medição spot ou pontual. Essa medição de luz considera apenas uma pequena parte, em torno de 1% a 5% da área da foto, e calcula a luz baseando-se somente nesse ponto, ignorando todo o resto da cena.
Até então, de posse desse conhecimento, eu já conseguia fazer algumas fotos decentes. Porém em situações um pouco mais complicadas, a medição automática não fica a contento, e sem saber exatamente como o cálculo do fotômetro interfere no resultado final, usar o modo spot é uma loteria, ou então no máximo será uma experiência de aprendizado por meio do “erro, tentativa e acerto”.
O que falta entender para conseguir utilizar melhor o modo spot é que a exposição calculada pelo fotômetro tem o objetivo de reproduzir no papel um cinza médio. Sendo assim, ao colocar o fotômetro em um objeto totalmente branco, e utilizar a exposição dali calculada, esse objeto será sub exposto, de maneira a ficar cinza no papel. Da mesma maneira ao se medir a luz sobre um objeto preto, esse será sobre exposto de maneira que não pareça preto, e sim cinza, no papel.
Para demonstrar esse efeito, fiz essa foto usando o modo spot da minha câmera, e coloquei o fotômetro sobre o pneu central
Fica claro como todo os pneus, que são naturalmente pretos, aparecem com um tom cinza médio, e usando a ferramenta de conta gotas, obtive os valores RGB de 134, 125 e 126. Porém, as partes mais claras da fotografia ficaram queimadas. Isso aconteceu porque ao colocar o fotômetro num objeto, o fotógrafo está dizendo para a câmera “Eu quero que isso seja um tom cinza médio”.
Ansel Adams, na década de 40, formulou então o sistema de zonas, para ajudar a calcular a exposição correta. Dando apenas uma pincelada, esse sistema divide os tons em 10 zonas, onde 0 é o preto total e X (10 em algarismos romanos) é o branco total. Sendo assim o cinza médio será a zona V.
O interessante é que Adams ensina que cada zona corresponde a um ponto de exposição (1 EV). Ou seja, ao regular a câmera para mais um ponto, o que antes estava num tom V passa ao tom VI.
Agora com esse conhecimento, superficial ainda pois me carece mais estudo e prática para fundamentar todo o conceito que Ansel Adams criou, repeti a mesma foto acima, porém decidi que o pneu preto deveria ser um tom da zona III e não V. Para compensar isto, ajustei minha câmera em -2 EV, e apontei o fotômetro exatamente para o mesmo lugar da foto anterior. O resultado foi esse:
Agora os pneus estão pretos, como deveriam ser, e a foto não está mais queimada, com exceção do caminhão branco no fundo, que acabou exposto na Zona X (branco absoluto), perdendo assim algum detalhe de sua textura, mas que para a composição dessa foto, foi uma concessão necessária para que o assunto principal ficasse em ordem.
Finalmente, para comparar com o que o pequeno japonês que há dentro de cada câmera pensa, coloquei ela no modo totalmente automático e fiz uma terceira foto:
A exposição ficou muito parecida com a que fiz manualmente, mas um pouco mais clara. No fundo, não só o teto do caminhão ficou queimado, como também boa parte do muro, uma deficiência bastante aceitável se considerar que nesse modo não há nenhuma necessidade por parte de quem fotografa conhecer todos esses conceitos pincelados nesse post.
Finalmente, é bom deixar claro que o sistema de zonas não é só isso, e o assunto é muito mais profundo. Para quem quiser se aprofundar mais no sistema de zonas, a recomendação é ler o livro “O Negativo” de Ansel Adams.
Queria agora uma camera capaz de capturar a beleza da Lua agora
Lançamento do livro A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Sphor, na Bienal
Apenas meu registro fotográfico do evento.
Uma cena, quatro câmeras
Uma cena, quatro câmeras diferentes.







































